A pesca artesanal no Brasil tem passado por uma verdadeira transformação impulsionada pela tecnologia. Tradicionalmente baseada em técnicas manuais e conhecimento empírico, a atividade começou a incorporar soluções digitais e equipamentos inovadores que aumentam a produtividade, a segurança e a sustentabilidade. Segundo Joel Alves, essa modernização permite que os pescadores mantenham suas práticas tradicionais ao mesmo tempo em que ampliam a competitividade no mercado e fortalecem a economia local.
O uso de tecnologias avançadas ajuda a superar desafios históricos do setor, como a variabilidade nas capturas, a dificuldade de acesso a mercados e os riscos operacionais no mar. Ferramentas modernas não substituem a experiência dos pescadores, mas potencializam sua eficiência e contribuem para um manejo mais responsável dos recursos naturais.
Ferramentas digitais e monitoramento
Aplicativos de previsão climática, sistemas de GPS e plataformas de georreferenciamento tornaram-se essenciais para planejar jornadas de pesca com maior precisão. Joel Alves explica que essas ferramentas permitem evitar áreas de risco, localizar cardumes e otimizar rotas, reduzindo o tempo de navegação e os custos operacionais. Além disso, sensores e dispositivos de monitoramento auxiliam no controle das capturas, prevenindo a sobrepesca e garantindo sustentabilidade.
A tecnologia também facilita o rastreamento da cadeia produtiva. Sistemas de registro de origem e blockchain permitem comprovar a procedência do pescado, o método de captura e o tempo de conservação, aumentando a confiança de consumidores e investidores.

Comercialização digital e valorização do pescado
Plataformas digitais conectam diretamente pescadores e consumidores, eliminando intermediários e garantindo preços mais justos. Joel Alves observa que essa inovação promove inclusão financeira, fortalece economias locais e aumenta o valor agregado do pescado artesanal. O acesso a mercados formais e certificados torna os produtos mais competitivos e abre oportunidades para exportação.
Além disso, a rastreabilidade digital contribui para atender às exigências de sustentabilidade e qualidade impostas por mercados internacionais. Produtos certificados ganham maior aceitação, reforçando a imagem do Brasil como fornecedor responsável.
Capacitação e inclusão tecnológica
Para que a tecnologia gere resultados efetivos, é essencial investir em capacitação. Treinamentos em operação de equipamentos, interpretação de dados meteorológicos e gestão de informações digitais ampliam a autonomia dos pescadores. Joel Alves ressalta que associações e cooperativas têm papel central na disseminação de conhecimento, promovendo o compartilhamento de tecnologias e reduzindo custos de implementação.
A inclusão tecnológica também estimula jovens a permanecer nas comunidades costeiras, garantindo a continuidade cultural e econômica da pesca artesanal. Essa integração de inovação e tradição fortalece a resiliência das comunidades e melhora sua qualidade de vida.
Sustentabilidade e futuro da pesca artesanal
O equilíbrio entre tecnologia e práticas tradicionais assegura que a pesca artesanal permaneça sustentável. Joel Alves destaca que a adoção de soluções digitais reduz impactos ambientais, melhora a gestão dos recursos naturais e promove a preservação dos ecossistemas marinhos. Nos próximos anos, espera-se que a ciência, a inovação e a sustentabilidade estejam cada vez mais integradas, garantindo uma pesca artesanal mais eficiente, segura e lucrativa.
Autor: Vitor Rocha
