Projetar para o descarte: o erro que começa antes da embalagem ser fabricada

Diego Velázquez
4 Min de leitura
Elias Assum Sabbag Junior

Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas e empresário da Cartonale, uma das maiores fabricantes de soluções em plástico corrugado da América Latina, atua em um setor onde uma das falhas mais custosas não acontece na produção nem no transporte. Na prática, ela acontece na prancheta. Visto que embalagens projetadas sem considerar o que acontece depois do uso chegam ao fim da vida útil sem destino viável: não são compatíveis com os fluxos de reciclagem existentes, não foram pensadas para reutilização e geram resíduos que ninguém sabe bem como tratar. Consequentemente, o problema não é o material, mas a ausência de uma pergunta que deveria ser feita no início de qualquer projeto: como essa embalagem vai sair do mundo?

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Design reverso: projetar pelo fim, não pelo início

O conceito de design reverso parte de uma inversão de lógica, isso porque, em vez de projetar a embalagem para proteger o produto durante o uso e ignorar o que vem depois, o projeto começa pelo destino final do material. Quais processos de reciclagem estão disponíveis para esse tipo de plástico? A embalagem pode ser desmontada sem ferramentas? Os componentes são separáveis ou estão unidos de forma que inviabiliza a triagem? Essas perguntas, quando feitas no início do projeto, mudam completamente as decisões de material, geometria e montagem.

Na prática, embalagens projetadas com essa lógica são mais fáceis de triar, mais compatíveis com os fluxos de reciclagem industrial e mais adequadas para modelos de logística reversa. Elias Assum Sabbag Junior acompanha esse movimento em um mercado onde clientes corporativos começam a exigir de seus fornecedores de embalagens documentação sobre a destinação do material ao final da vida útil. Além disso, a Cartonale desenvolve soluções com materiais que permitem reaproveitamento real, incluindo o uso de insumos reciclados pós-consumo na composição dos produtos.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

O custo oculto do projeto mal feito

Uma embalagem que não pode ser reciclada ou reutilizada gera um custo que não aparece no orçamento de compras, mas aparece em outros lugares: no volume de resíduos industriais que precisam de destinação especial, no valor que deixa de ser recuperado com a venda do material reciclável e na exposição a exigências regulatórias que estão avançando em direção à responsabilidade estendida do produtor. Em vista disso, Elias Assum Sabbag Junior elucida que empresas que ainda projetam embalagens sem considerar o fim da vida útil estão acumulando um passivo que vai se tornar mais caro à medida que a regulação ambiental se intensifica.

De acordo com Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, o erro é ainda mais significativo porque a correção posterior é cara. Isso porque redesenhar uma embalagem já em produção exige ajustes em moldes, processos e eventualmente em contratos com fornecedores. Com isso, resolver essa questão na fase de projeto custa uma fração do que custa corrigir depois.

Quando o projeto vira vantagem competitiva

Empresas que dominam o design reverso estão em posição privilegiada para responder às exigências de cadeia que já são realidade em vários segmentos industriais. A capacidade de apresentar documentação sobre a destinação do material, comprovar compatibilidade com reciclagem e demonstrar que a embalagem foi projetada para fechar o ciclo transforma o fornecedor em parceiro de metas ambientais, não apenas em vendedor de insumos. 

Elias Assum Sabbag Junior representa esse perfil de empresário que trata o projeto da embalagem como decisão estratégica com impacto que vai muito além da linha de produção.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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