À medida que o design de interiores amadurece como campo de atuação no Brasil, cresce também a compreensão de que decorar um ambiente não é apenas uma questão de estética: é um processo de tradução de identidade. Daugliesi Giacomasi Souza, especialista em design de interiores e decoração pela DGdecor, indica que os projetos mais bem-sucedidos são aqueles em que o espaço comunica, de forma clara e coesa, quem é a pessoa que o habita, seus valores, seu repertório cultural e seu modo de viver. Leia o artigo completo para saber mais sobre o assunto.
O processo de escuta ativa como fundamento do projeto de decoração personalizado
Antes de qualquer decisão sobre móveis, cores ou revestimentos, um projeto de decoração personalizado exige um processo de escuta. Entender como o morador usa o espaço, quais são seus horários, suas preferências sensoriais, o que o incomoda no ambiente atual e o que o faz sentir bem em outros espaços que frequenta são informações que moldam as escolhas projetuais de forma muito mais precisa do que qualquer referência de revista ou rede social. Conforme descreve Daugliesi Giacomasi Souza, é nesse mapeamento inicial que reside a diferença entre um projeto genérico e um projeto que permanece relevante ao longo dos anos.
A escuta ativa também evita erros comuns, como a escolha de um estilo visual que o cliente admira esteticamente, mas que não se adapta ao seu modo de vida. Um ambiente minimalista pode ser visualmente impactante, mas inadequado para uma família com crianças pequenas que precisa de armazenamento abundante e superfícies resistentes. O alinhamento entre estética e funcionalidade dos ambientes é o que transforma um projeto bonito em um projeto habitável.
Referências culturais e afetivas como matéria-prima da decoração
Cada pessoa carrega um repertório visual formado ao longo da vida: viagens realizadas, famílias de origem, livros lidos, músicas ouvidas, objetos herdados. Incorporar essas referências ao projeto de decoração é uma das formas mais eficazes de criar identidade visual dos ambientes com profundidade e autenticidade. Daugliesi Giacomasi Souza pondera que peças com história, fotografias integradas à composição, materiais que remetem a lugares significativos e objetos com valor afetivo transformam o espaço em um território de memória, o que intensifica o sentimento de pertencimento do morador ao próprio lar.

Esse processo não exige grandes investimentos financeiros. Muitas vezes, uma prateleira com objetos reunidos de forma intencional conta mais sobre quem habita aquele espaço do que um projeto decorado inteiramente com peças de grife. A curadoria é o que diferencia: selecionar, posicionar e combinar elementos com intenção é uma habilidade que transforma qualquer objeto em componente de linguagem visual.
Estilo e coerência ao longo do tempo nos projetos de interiores residenciais
Um projeto de decoração residencial precisa ser pensado com horizonte de longo prazo. Tendências passam, mas a identidade do morador permanece, e um espaço construído sobre bases sólidas de estilo, funcionalidade e escolhas personalizadas resiste ao tempo sem precisar de renovações constantes. Na concepção de Daugliesi Giacomasi Souza, investir em peças de qualidade, em materiais duráveis e em uma paleta coesa desde o início do projeto é mais econômico e mais satisfatório do que seguir modismos que exigem atualização frequente.
A coerência estética não significa rigidez. Um ambiente bem projetado comporta atualizações pontuais, a entrada de novos objetos e a evolução natural do gosto do morador sem perder sua identidade. O que garante essa flexibilidade é a solidez da base projetual: quando o espaço tem estrutura clara, cada novo elemento se integra naturalmente ao conjunto em vez de competir com ele.
O comportamento das pessoas e a transformação dos espaços ao longo do ciclo de vida
Os ambientes que habitamos não são estáticos: evoluem junto com as pessoas. Uma casa pensada para um casal sem filhos precisará de adaptações quando a família crescer; um espaço projetado para o trabalho remoto intensivo pode precisar ser repensado quando a rotina mudar. Daugliesi Giacomasi Souza acompanha essa dinâmica e reforça a importância de projetos que contemplem essa mutabilidade desde a concepção, com escolhas que permitam reconfigurações sem demolições ou substituições integrais de mobiliário.
O que esse percurso demonstra é que a relação entre comportamento e espaço é contínua e bidirecional: o ambiente influencia quem o habita, e quem o habita transforma o ambiente ao longo do tempo. Daugliesi Giacomasi Souza percebe nessa troca o aspecto mais humano do design de interiores, o que torna cada projeto não apenas um trabalho técnico, mas uma contribuição real para a qualidade de vida de quem recebe o espaço.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
