O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, esclarece que o ambiente em que o idoso vive vai muito além das paredes de sua casa. As calçadas que percorre, os parques que frequenta e os transportes que utiliza fazem parte de um ecossistema que pode facilitar ou dificultar o envelhecimento ativo e saudável. Ele entende que a saúde do idoso é moldada também pelo ambiente ao seu redor e que transformar esse ambiente é uma responsabilidade coletiva.
Ao longo deste artigo, você vai entender como os espaços públicos afetam a saúde do idoso e o que pode ser feito para torná-los mais acolhedores. Acompanhe!
Como o ambiente urbano influencia a saúde do idoso?
O ambiente urbano tem impacto direto sobre a mobilidade, a socialização e o bem-estar do idoso. Isto é, calçadas irregulares e sem rampas dificultam a locomoção e aumentam o risco de quedas. Da mesma forma, a ausência de bancos ao longo de trajetos comuns limita a capacidade do idoso de realizar caminhadas. Inclusive, o transporte público sem adaptações isola aqueles que dependem do sistema coletivo para se deslocar.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, o idoso que vive em um ambiente hostil à sua condição física tende a sair menos, a se mover menos e a socializar menos. De maneira que esse ciclo alimenta o sedentarismo, o isolamento e o declínio funcional com consequências clínicas sérias. Por isso, tornar o ambiente mais acolhedor não é apenas uma questão de urbanismo, mas uma questão urgente de saúde pública que precisa ser tratada como tal.

Por outro lado, ambientes que investem em acessibilidade e espaços de convivência estimulam naturalmente o envelhecimento ativo. Assim, o idoso que tem onde caminhar com segurança e onde encontrar outras pessoas tende a se mover mais, a socializar mais e a manter sua saúde por muito mais tempo.
O que a família e a comunidade podem fazer pelo ambiente do idoso?
Mesmo sem esperar por transformações urbanas estruturais, famílias e comunidades podem agir. Bem como identificar e comunicar às autoridades os riscos de acessibilidade do bairro, organizar grupos de caminhada e criar espaços de convivência comunitária são iniciativas que qualquer grupo motivado pode implementar com poucos recursos e grande impacto.
De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, acompanhar o idoso em suas saídas regulares tem impacto significativo sobre sua disposição para se manter ativo. Convém lembrar que a presença de um acompanhante elimina o medo de quedas, que é uma das principais razões pelas quais muitos idosos preferem permanecer em casa. De modo que o acompanhamento é também uma forma de vínculo que fortalece a saúde emocional do idoso.
As ações do Humaniza Sertão consideram o ambiente específico de cada comunidade. Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, orientar sobre segurança no deslocamento dentro da realidade concreta de cada localidade é parte essencial das orientações oferecidas pela equipe do projeto durante as ações mensais nas comunidades do sertão.
Um ambiente acolhedor é parte do cuidado ao idoso
O ambiente em que o idoso vive é parte de sua saúde. Torná-lo mais seguro, mais acessível e mais estimulante é uma responsabilidade que cabe a todos. Cada melhoria no ambiente é um investimento direto na saúde e na autonomia do idoso.
O doutor Yuri Silva Portela reforça que cuidar do idoso inclui cuidar do espaço onde ele vive e se move. Observe o ambiente ao seu redor com os olhos de quem envelhece e aja para torná-lo mais humano, mais seguro e mais acolhedor para todos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
