Saúde e espaços públicos: Veja como o ambiente urbano afeta o envelhecimento ativo

Diego Velázquez
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Yuri Silva Portela

O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, esclarece que o ambiente em que o idoso vive vai muito além das paredes de sua casa. As calçadas que percorre, os parques que frequenta e os transportes que utiliza fazem parte de um ecossistema que pode facilitar ou dificultar o envelhecimento ativo e saudável. Ele entende que a saúde do idoso é moldada também pelo ambiente ao seu redor e que transformar esse ambiente é uma responsabilidade coletiva.

Ao longo deste artigo, você vai entender como os espaços públicos afetam a saúde do idoso e o que pode ser feito para torná-los mais acolhedores. Acompanhe!

Como o ambiente urbano influencia a saúde do idoso?

O ambiente urbano tem impacto direto sobre a mobilidade, a socialização e o bem-estar do idoso. Isto é, calçadas irregulares e sem rampas dificultam a locomoção e aumentam o risco de quedas. Da mesma forma, a ausência de bancos ao longo de trajetos comuns limita a capacidade do idoso de realizar caminhadas. Inclusive, o transporte público sem adaptações isola aqueles que dependem do sistema coletivo para se deslocar.

Segundo o doutor Yuri Silva Portela, o idoso que vive em um ambiente hostil à sua condição física tende a sair menos, a se mover menos e a socializar menos. De maneira que esse ciclo alimenta o sedentarismo, o isolamento e o declínio funcional com consequências clínicas sérias. Por isso, tornar o ambiente mais acolhedor não é apenas uma questão de urbanismo, mas uma questão urgente de saúde pública que precisa ser tratada como tal.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Por outro lado, ambientes que investem em acessibilidade e espaços de convivência estimulam naturalmente o envelhecimento ativo. Assim, o idoso que tem onde caminhar com segurança e onde encontrar outras pessoas tende a se mover mais, a socializar mais e a manter sua saúde por muito mais tempo.

O que a família e a comunidade podem fazer pelo ambiente do idoso?

Mesmo sem esperar por transformações urbanas estruturais, famílias e comunidades podem agir. Bem como identificar e comunicar às autoridades os riscos de acessibilidade do bairro, organizar grupos de caminhada e criar espaços de convivência comunitária são iniciativas que qualquer grupo motivado pode implementar com poucos recursos e grande impacto.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, acompanhar o idoso em suas saídas regulares tem impacto significativo sobre sua disposição para se manter ativo. Convém lembrar que a presença de um acompanhante elimina o medo de quedas, que é uma das principais razões pelas quais muitos idosos preferem permanecer em casa. De modo que o acompanhamento é também uma forma de vínculo que fortalece a saúde emocional do idoso.

As ações do Humaniza Sertão consideram o ambiente específico de cada comunidade. Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, orientar sobre segurança no deslocamento dentro da realidade concreta de cada localidade é parte essencial das orientações oferecidas pela equipe do projeto durante as ações mensais nas comunidades do sertão.

Um ambiente acolhedor é parte do cuidado ao idoso

O ambiente em que o idoso vive é parte de sua saúde. Torná-lo mais seguro, mais acessível e mais estimulante é uma responsabilidade que cabe a todos. Cada melhoria no ambiente é um investimento direto na saúde e na autonomia do idoso.

O doutor Yuri Silva Portela reforça que cuidar do idoso inclui cuidar do espaço onde ele vive e se move. Observe o ambiente ao seu redor com os olhos de quem envelhece e aja para torná-lo mais humano, mais seguro e mais acolhedor para todos.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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